Com a facilidade do cd, acabamos perdendo certos costumes. Hoje em dia, com a facilidade de se baixar um disco pela internet, pior ainda. Muita gente deixa o disco na própria máquina, o que este que vos fala particularmente não é lá muito adepto. Prefiro (fritar) os cds em wave mesmo. Bom, com toda essa parafernália dos (disquinhos mágicos) como dizia uma certa revista, tive uma sensação diferente ao pegar o vinilzão de 88. Ao abrir a capa para colher informações para vocês me fez voltar no tempo.
LADO A
1 - Se Diverte e Já não Pensa em Mim
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo assinado por Charles Calello, a música que abre o disco é totalmente dentro dos padrões RC. A qualidade de som está diferente nesse disco. Roberto gravou a disco com gringos. O som está mais encorpado, os graves estão mais audíveis. Seria esse (para mim) o último disco em que o Roberto usa baterista de verdade. A partir do disco de 89 nota-se a tecnologia com os processadores. A primeira vez que ouvi a canção, salvo engano, foi numa fita pirata. A letra é linda e comenta da vida a dois e particularmente da outra pessoa que não tem tempo para nada quase. Na parte, (usa o fax e o telex), em tempos de hoje seu sobrinho pode perguntar o que é fax e telex. Em tempos de hoje como seria? (Usa o skype e o orkut, mais o MSN, facebook)... No especial de fim de ano a gloriosa Luiza Brunet encheu nossas telas com a sua beleza vivendo o papel de uma mulher de negócios. O clipe mostra Robertão gravando com sua habitual roupa, coletão jeans claro, camiseta e calça jeans. Sobre a roupa, Roberto disse em entrevista a revista Caras em 94: Gosto muito de jeans, azul e branco. Pior é quando dizem que eu estou sempre com a mesma roupa (risos). A letra também acompanha a mudança da sociedade de uma certa forma. No disco de 1973 em Rotina, a mulher era retratada em casa, enquanto o marido saía para trabalhar, os dois pensavam um no outro durante o dia inteiro, etc. Na letra desta canção de 1988 a mulher saía para trabalhar, cheia dos afazeres, ou seja, as canções da dupla Roberto e Erasmo sempre acompanharam as mutações da sociedade.
2 - Todo Mundo é Alguém
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo de base: Robbie Buchanan. Arranjo de Cordas: Eduardo Lages
A música para o povão. A letra critica de forma sutil a cambada de magnatas que vive no mundo. Diz que não importa a cor e que tudo o que ele (homem) quer é o respeito por sua luta. Letra atualíssima por sinal. De uma certa forma, fala para que a gente (trabalhadores) não encolhamos nossos ombros. Como diz a letra (dentro de um castelo ou de um barraco, ele é alguém, com o que tem). O tipo de letra que te prende e te faz refletir. Robertão e Erasmão são ótimos nisso. Bons tempos em que tínhamos letras cm conteúdo. Na execução da música no especial de 88, alternam-se imagens entre ao vivo e imagens do povão indo ao trabalho. No final da música há uma bateria de escola de samba com um coral maravilhoso. A guitarra do começo tem um chorus gostoso de se ouvir. Dean Parks destrói no solo, diga-se de passagem.
3 - Se Você Disser Que Não Me Ama
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo Charles Calello
Um bolero que reforça a diversidade de ritmos da dupla de compositores. A letra é daquele tipo de situação, (Ah, diz que não me ama, vai, quero ver) rs. No clipe veiculado no especial, Roberto está como crooner (no tempo da boate Plaza na deveria ter o mesmo glamour), a banda atrás um ou outro músico com a gravata torta, mas não vem ao caso. Roberto com aquele microfone antigo. Isabella Garcia maravilhosa, dança ao som o Robertão. Nos braços de outro. Os dois ficam se comendo com os olhos, até que no final da música, Roberto após pegar o cachê, encontra com Isabella e os dois dançam. Isabella recita a letra da canção.
4 - Como As Ondas Do Mar
Marcos Valle/ Carlos Colla – Arranjo: Charles Calello
Maravilhosa música que acrescenta ao cardápio de estilos que é esse disco de 88. A letra fala de uma situação em que compara-se as ondas do mar, o (tudo vem, tudo vai). Diz a letra, (com você aprendi que o que dá pra sorrir, também dá pra chorar). Fala do amor verdadeiro, aquele que ficou lá para trás. Saudosismo é marca registrada também na carreira de Roberto. Já chorei muito ouvindo isso. No especial da Globo, Roberto é um papai Noel de shopping e vê a amada de mãos dadas com a filha. A amada é bem estilo anos 80. Mas curioso é que ela não se toca nem uma vez que o papai Noel é o Roberto. Ao final, Roberto, puto da vida tira o disfarce de Papai Noel e manda tudo para o inferno.
5 – Se o Amor Se Vai
(Roberto Livi/Bebu Silvetti/Roberto Carlos/ Carlos Colla)
Arranjo de base: Bebu Silvetti / Arranjo de cordas: Eduardo Lages
Ganhadora do Grammy, curiosamente ela foi apresentada no ano seguinte em especial, com Roberto cantando ao vivo no especial do disco Amazônia. A letra comenta que se fosse a inexistência do amor (sentimento), um monte de coisas ia para o ralo. O bilhete, flores, sonhos, fantasias e reforça que (pobres namorados, choram separados por razões banais).
6 – Papo de Esquina
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Participação muito especial: Erasmo Carlos.
Arranjos: Charles Calello
A música é um country, bem mais fiel do que alguns countries que andaram aparecendo recentemente. A letra é uma conversa de dois amigos que falam de suas respectivas descobertas mulherísticas. Ou seja, dois amigos falando sobre suas respectivas presas. Agora, o que eu torci o nariz desde a primeira vez que ouvi foi o (toda razão dessa felicidade é uma gata chocante que eu conheci na cidade). Essa gíria não desce até hoje, rs. Nessa época, na Globo ainda tinha o programa Globo de Ouro. Roberto e Erasmo eram presença garantida com essa música. Quem apresentava o programa e os convidados era Miryam Rios.
7 – Eu sem Você
(Mauro Motta/Carlos Colla)
Arranjo: Charles Calello
Uma composição do produtor do disco e do hit maker Carlos Colla. Bela letra falando coisas do tipo, (Ah, é? Fica sem mim que tu vai ver o que é bom pra tosse!). Essa música não entrou no especial da Globo. Mas é a música para se ouvir ao lado da pessoa amada, a meia luz e com um bom vinho.
8 – O Que É Que Eu Faço?
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo de Base: Charles Calello. Arranjo de cordas: Eduardo Lages
Samba muito bem feito. Mais uma vez ressalto aqui a diversidade de estilos em um mesmo disco. Essa foi a primeira música do disco que eu ouvi no rádio. Ao final o locutor da Rádio América dizia: Parabéns Roberto, são músicas assim que provam que um rei jamais perde a majestade. A letra fala de suposições: (se você de repente me achar, no seu caminho; na sua porta; na sua cama, etc).
9 – Toda Vã Filosofia
(Guilherme Arantes)
Arranjo: Charles Calello
O rei grava uma música de Guilherme Arantes, excelente compositor. Não sei porque, mas adoro essa canção que ouvia sempre antes de ir para a escola a tarde. Fala do amor como o centro de tudo. Principalmente no trecho (Mas hoje eu sei, que só através do amor o homem pode se encontrar com a perfeição dos sábios).
10 – Volver
(Carlos Gardel/ Alfredo Lepera)
Arranjo: Bebu Silvetti
Tango fiel as raízes. No clipe do especial, Roberto aparece cantando com um efeito de fumaça atrás dele, vestido com um terno, detalhe para as mangas arregaçadas. Excelente canção. Outra para se ouvir com vinho do lado.
Considerações Finais
O disco é um trabalho ímpar, totalmente dentro dos padrões RC de qualidade. O time de músicos está perfeito, entrosado e a banda está um relógio. Roberto dá um show de interpretação em todas as letras, gravar com sentimento é algo que ele entende bem.
O álbum foi gravado nos estúdios Cherokee, Record Plant, A&M Records, Sigma Sound e Sigla (RJ).





































