O DISCO DE 1976



Lado A
Ilegal, imoral ou engorda (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
Os seus botões (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
O progresso (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) ***
Preciso chamar sua atenção (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) **
O dia a dia (Neneu – Fred Jorge) ****
Pelo avesso (Isolda – Milton Carlos) **
Lado B
Você na minha vida... (Roberto Carlos – Erasmo Carlos)**
A menina e o poeta (Wando) ***
Comentários (Carlos Colla – Mauricio Duboc) **
Minha tia (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
Um jeito estúpido de te amar (Isolda – Milton Carlos) **
Por motivo de força maior (Getulio Cortes) ****

Arranjos
Charlie Calello *
Jimmy Wisner **
Al Capps ***
Horace Hott ****

Gravado nos estúdios CBS – New York, Larrabee Sound (Los Angeles).
Fotos: Darcy Trigo

Ilegal, imoral ou engorda (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
Arranjo de Charlie Calello
Em 1976 Roberto já tinha consolidado sua carreira como, cantor, compositor e interprete. Havia onze anos que o primeiro programa Jovem Guarda tinha ido ao ar. Ou seja, Roberto agora era um ícone nacional e internacional. Roberto então seria um... prisioneiro da própria fama? Vivia ele cercado de acessores, seguranças, empresários e quando não estava no avião ou no palco estava em escritórios, reuniões...
Numa dessas reuniões em um escritório em São Paulo, Roberto vê a frase em uma mesa: Tudo o que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda. Roberto contou isso no programa Entrevista da extinta MTV. Contou também em outra entrevista que o maior sonho dele, na época (1995 – 1996) era ir a um barzinho daqueles que tem mesas na calçada. Roberto não fazia isso a muito tempo. E disse: Ah, eu fico morrendo de vontade de ir a um barzinho que tem as mesas na calçada, tomar um sorvete.
No programa Em Nome do Amor de Silvio Santos, quando questionado sobre ser prisioneiro da fama, Roberto disse que entendia que a fama era algo que ele tinha batalhado, trabalhado muito e que isso (o ofício de cantar) ele fazia com muito amor. E finalizou dizendo que se (não poder circular) por aí era por amor tá tudo bem.
Hoje como todo mundo sabe, Roberto mora na Urca. Onde ao lado do prédio em que mora, tem o seu estúdio Amigo. A questão é que se em 1976 Roberto já não podia andar por aí tranquilamente, imagine hoje! Apesar de tudo, quem conhece Roberto diz que ele é um homem simples. Inacessível, por causa de todos os seus compromissos e a própria fama, mas é um homem simples, que gosta de estar sempre com a família e amigos.   


Os seus botões (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
Arranjo Charlie Calello
Música que fala do amor no sentido de sexo. A canção fala da primeira noite de amor de um casal. Os dois se despindo lentamente, capa pendurada, chuva lá fora. Recomenda-se um ambiente a meia luz, esse som no toca disco e um bom vinho. Ah, tire o telefone do gancho, desliga o celular e passa longe do computador.

O progresso (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) ***
Arranjo All Capps
Roberto já tinha amadurecido muito como pessoa e como artista. Tinha uma carreira muito bem solidificada. No Brasil, sempre tivemos dois tipos de artistas, os que cantam e os que não cantam canções de protesto. A canção “O Progresso” fala, da devastação, matança de animais e  poluição dos mares. Belo arranjo de All Caps. Outra canção protesto seria em 1979 em O ano passado. No especial da Rede Globo de 1976, Roberto falou antes da canção sobre as baleias, uma prévia de um tema que viraria mais um sucesso em sua carreira no disco de 1981.

Preciso chamar sua atenção (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) **
Arranjo Jimmy Wisner
A exemplo de “É preciso saber viver”, essa música muita gente também já conhecia porém com outro arranjo. É preciso saber viver, lançada em 1974 já tinha sido cantada por Roberto, Erasmo e Wanderléa no filme “Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa” em 1968. No mesmo filme, Preciso chamar sua atenção era cantada por Erasmo Carlos em uma cena que ele está em uma praia, onde tem uma linda mulher pintando um quadro, ela com um biquíni grande demais para os dias de hoje, porém que não tira o brilho de sua brilhante atuação.

O dia a dia (Neneu – Fred Jorge) ****
Arranjo Horace Hott.
No disco em vinil, os créditos para o primeiro compositor está como Neneu, porém no disco de 1969, o crédito na canção Quero ter você perto de mim, está como Nenéo. Nenéo é o compositor que mais lutou para ter suas músicas gravadas pelo rei. Nesta ele está em parceria com Fred Jorge, outro letrista fantástico. A canção narra o dia a dia de um casal cujo o relacionamento está em decadência. Destaque para o refrão por dois fatores. Um é o coral em “baby, baby, baby,,,” e outro para o início do refrão em que Roberto fala “Meu bem”, dizem que Roberto se dirigia a Nice assim.

Pelo avesso (Isolda – Milton Carlos) **
Arranjo Jimmy Wisner
Neste ano foram mandadas duas músicas dos irmãos Isolda e Milton para Roberto. Pelo Avesso e Um jeito estúpido de te amar. Para a surpresa dos dois  irmãos, as duas entraram no disco de 1976. O refrão é apelativo, porém de uma forma inteligente. “...eu quero o seu amor a qualquer preço...”.



Lado B
Você na minha vida... (Roberto Carlos – Erasmo Carlos)**
Arranjo Jimmy Wisner
Esta é uma das mais belas canções de Roberto e Erasmo. Casamento perfeito entre arranjo, letra, música, sonoridade. No disco em vinil está como Você NA minha vida, em algumas publicações, tipo revistas de música, está como Você EM minha vida. Cheguei a pensar uma vez que “Você na minha vida” fosse um embrião para Outra vez de Isolda. Pois a le

tra trata de um amor que foi a felicidade e hoje é só tristeza e recordações. “...dos amores que eu tive / o mais complicado e o mais simples pra mim / mentira sincera / brincadeira mais séria...”. Em Você na minha vida temos “... Você foi a melhor coisa que eu tive / mas o pior também em minha vida / você foi o amanhecer cheio de luz e de calor / em compensação o anoitecer a tempestade a dor / você foi o meu sorriso de chegada e a minha lágrima, de adeus...” Mas tanto Você na minha vida quanto Outra vez, cada qual tem seu brilho. Apenas falam do mesmo tipo de situação.

A menina e o poeta (Wando) ***
Arranjo de All Capps
Na década de 70, Wando, assim como Ronnie Von e Benito di Paula, eram empresariados por Marcos Lázaro, e costumavam encontrar com o rei no escritório vez ou outra. Wando (grande compositor e cantor) que estourou com Fogo e Paixão em 1988, compôs essa canção que provavelmente foi entregue à Roberto em uma fita k7.

Comentários (Carlos Colla – Mauricio Duboc) **
Arranjo Jimmy Wisner
A canção da dupla Duboc e Colla fala de uma situação em que o relacionamento provavelmente acabou e que fique entre quatro paredes para que as famosas bocas (leva e traz) não saiam por aí falando demais, ou de menos...

Minha tia (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
Arranjo Charlie Calello
Primeira homenagem, com nome e tudo de Roberto em disco. Roberto estava em Los Angeles em um hotel quando na TV viu um programa de variedades em que se falava do significado de um tio na família. Sua memória se fixou em sua tia Amélia Moreira, uma das irmãs de dona Laura. No começo sua carreira, Roberto morava em Niterói, porém quando ia tentar sua sorte, às vezes ficava tarde para voltar e ele dormia na Tijuca. Em Niterói Roberto morava na casa da tia Jovina. Tudo veio a cabeça e Roberto chorou bastante, de lembrar quanto trabalhoso era e foi o começo de tudo. A canção foi concluída com Erasmo pelo telefone. Minha tia foi gravada em Los Angeles, e a tia  Amélia ficou sabendo depois do lançamento quando recebeu do sobrinho um disco autografado.

Um jeito estúpido de te amar (Isolda – Milton Carlos) **
Arranjo de Jimmy Wisner
A letra é como diz o título. Um jeito estúpido de te amar. Cada pessoa tem o seu jeito de amar e de se defender, de se doar para a pessoa. Destaque para a flauta do início. Uma música bem calma, porém com uma força incrível.
Milton faleceu tragicamente a bordo do seu Passat indo de Jundiaí para São Paulo aos 23 anos em 20 de outubro de 1976. Portanto, não viu o lançamento do disco do rei.

Por motivo de força maior (Getulio Cortes) ****
Arranjo Horace Hott
Canção do mesmo autor de Pega Ladrão, O sósia, O gênio, O feio, O tempo vai apagar. Autor que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente em  um show da Lílian Knapp e sua banda no Little Darling em SP. Minha finada banda Expresso abriu o show para a Lílian. Getúlio faria com ela parte do show e assistia a tudo do segundo andar da casa. Como homenagem da banda, cantamos O sósia.

Gravado nos estúdios CBS – New York, Larrabee Sound (Los Angeles).
Fotos: Darcy Trigo
Roberto nesse disco aparece na capa de cabelos mais curtos. Uma sessão de fotos em que Darcy Trigo teve muito bom gosto. Primeiramente, Roberto está todo de branco, é quando surge o cravo na lapela e o rei está com um chapéu. Mais uma curiosidade,  Roberto está deitado em uma rede, pura ironia, pois nessa época, o rei mal podia se dar ao luxo de descansar. Nós fãs sabemos, Roberto quando não está no estúdio, está no palco, ou com a família. Na capa interna, Roberto está com um outro figurino: jaqueta de couro, camisa aberta, calça boca de sino e uma bota, com um salto muito legal rs. Sentado em um belíssimo triciclo, que o dia que eu tiver grana eu terei um.
Esse disco na minha vida tem lá a sua história. Desde pequeno, eu tinha um costume que muita gente pode achar estranho para uma criança, mas, onde quer que eu fosse, eu gostava de levar os meus discos. Isso mesmo, os LPs. Por isso, em uma viagem para Poços de Caldas, parte da mala arrumada por minha mãe, tinha que ter espaço para os discos, quando ia a casa da minha avó, dependendo do dia, tinha que levar os discos. O que é natural hoje quando as pessoas levam seus mp3 players, ou disc man, ou suas músicas no celular, esse texto é um pouco antigo, pois hoje as pessoas levam suas músicas preferidas no celular; ou walkman  (quando eu era office boy), muito antes... eu gostava de levar os meus LPs. Muitas vezes na minha madrinha eu cheguei a levar meus vinis. Mas um dia, minha mãe falou que ia à casa de uma prima. Ao chegar lá,  um monte de discos do Roberto e fixei nessa capa que eu até então não conhecia. Sabe-se  lá se era disco novo dele, creio que não, também mal vou me lembrar dos discos que carreguei aquele dia. Mas esse disco era uma novidade para mim. Fiquei anos conhecendo-o só pela capa, na maior curiosidade em saber quais músicas continham, até comprar meu primeiro LP de 1976. Isso é bem diferente dessa molecada de hoje em dia que encontra em dez minutos na internet toda a discografia de um determinado artista ou banda para baixar. Mas o mp3 trouxe o fim do impacto da capa. O cd já tinha tirado quando eliminou os Lp´s. O mp3 acabou de vez com a parte gráfica de disco, capa, contracapa, encarte, ficha técnica... “Como o rei diz nesse disco “ Não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso”. 



Pra terminar: fotos da mesma sessão que saíram não no disco, mas em revista de cifra para violão e guitarra e outras achadas na net. 




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Portal Clube do Rei - Esse Portal é Papo Firme!



Como falei em algumas postagens anteriores, o fato de ser fã do Roberto é algo que não temos muito controle. Na internet em especial, podemos ter contato com outros fãs, ver suas coleções, trocar informações, informações que muitas vezes ficamos nos questionando durante anos. Bom, em 2006 acessei o Portal Clube do Rei Roberto Carlos. Cadastrei-me, entrei e fiquei pasmo com a infinidade de informações que tinha ali. Não só informações mas como também fotos, agenda, toda a discografia nacional e internacional ali relacionadas, fotos de revistas, fotos de shows, vídeos, muitos vídeos e logo na primeira página as notícias de tudo o que acontece no mundo Robertístico.
O Clube do Rei existe desde 2001. Conforme as palavras do administrador, presidente e amigo Carlyle Zamith “Era um site sem solicitação de cadastro e interatividade dos usuários. A partir de 2003 tomou forma de Portal com cadastro de usuarios e participação ativa de todos os membros. Portanto, o Clube do Rei existe desde 2001.”
No Portal no link Quem Somos está escrito:
“No princípio éramos apenas um grupo de amigos virtuais com algo em comum: admiraçăo pelo maior cantor e compositor brasileiro de todos os tempos.
E aí muitos frutos foram colhidos: muitas histórias foram descobertas, muitas músicas esquecidas no tempo reveladas, muitas lembranças remotas de nossa infância e juventude relembradas. Porque discutir Roberto Carlos significa discutir momentos inesquecíveis a qualquer brasileiro nascido nos últimos 45 anos.
E daí surgiu um sonho: como resgatar todo estes tesouros cultivados por admiradores anônimos há várias décadas, guardado em cada cantinho de nossas casas, em nossas lembranças, e dividi-lo com quem queira compartilha-lo? Como transmitir para novas geraçőes esta liçăo de vida que corria o risco de ficar esquecida no tempo?
E aí nos propusemos a um grande desafio: resgatar esta grandiosa obra e apresenta-la para ser apreciada, seguida e admirada năo só pelo nosso grupo de amigos, mas por todos os brasileiros, ou melhor, por todos os cidadăos do mundo. Porque suas mensagens de amor já há muito transcenderam fronteiras.
Quanto maiores as nossas dificuldades em simplesmente organizar tăo vastas informaçőes: biografia, discografia nacional e internacional, centenas de composiçőes, reportagens, depoimentos, notícias, filmografia, shows, premiaçőes, torna-se maior a nossa admiraçăo pelo tamanho e qualidade da obra. A cada dia que passa uma nova descoberta e um novo encantamento.”
Há tempos  quero falar do Portal aqui no blog. Acesse, cadastre-se, divulgue. É um trabalho feito com muito amor, muita dedicação, muito respeito e tudo para divulgar cada vez mais a obra de Roberto Carlos. 
O endereço do site
www.clubedorei.com.br

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Especial de 2013 - 40 anos juntos - dia 25 de dezembro



Pois é. Mais um ano juntos. Aliás, 40 anos juntos. Esse é o tema do próximo especial de fim de ano de Roberto na TV Globo que vai ao ar no dia 25 de dezembro depois da novela “Amor à Vida”. As gravações ocorreram no último sábado. Muitos sites por aí acabam fazendo um texto falando tudo que vai acontecer, o que eu particularmente não curto muito, gosto da surpresa. Alguns dos convidados desse ano são Anitta, Lulu Santos, Erasmo Carlos, Tiago Abravanel entre outros. As opiniões se divergem em redes sociais sobre os convidados. Eu na minha condição de fã, Roberto apareceu na TV eu corro pra assistir.
Então não perca, é dia 25 de dezembro depois da Novela "Amor à Vida". 

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O DISCO DE 1973




Lado A
A cigana (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) ***
Atitudes (Getulio Cortes) ***
Proposta (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) **
Amigos, amigos (Isolda/Milton Carlos) ***
O moço velho (Sylvio César) *
Lado B
Palavras (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) **
El dia que me quieras (Carlos Gardel/Alfredo La Pêra) **
Não adianta nada (Fred Jorge) ***
O homem (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) ***
Rotina (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) *

Chiquinho de Moraes *
Jimmy Wisner **
Jimmy Haskel ***

Fotos Armando Canuto.

Lado A
A cigana (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) ***
Arranjo Jimmy Haskel
O disco abre com essa canção que fala de uma cigana que se aproximou e depois desapareceu na distância. É uma música em que o arranjo vai mudando, é crescente, o andamento vai tomando forma e de repente volta ao jeito que é no início. O final da canção é apoteótico. Semelhante à uma música típica Russa. Infelizmente, nesse disco não teremos os devidos créditos aos músicos, como por exemplo, continuaremos sem saber quem foi o (mago) que executou as linhas de violino com tanta maestria.

Atitudes (Getulio Cortes) ***
Arranjos Jimmy Haskel
Getulio Cortes, o mesmo autor de Negro Gato e O sósia, e que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente, aparece nesse Roberto Carlos´73 com uma composição bem madura. Destaque para a bateria, que não apenas acompanha, mas também cria viradas espetaculares e para o naipe de metais no solo. Os recursos de letra, (na vidraça eu vi você se afastar) voltariam na letra de outro compositor em 1979, Abandono de Ivor Lancelloti.

Proposta (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) **
Arranjo de Jimmy Wisner
Particularmente não é um dos arranjos que eu mais gosto. É uma canção que quando começa, talvez por ter escutado-a tanto, é uma música cujo arranjo não me agrada. A letra é o começo da fase sensual na carreira de Roberto. Gosto mais da versão do disco Ao vivo de 1988. Mas é a primeira vez que Roberto avança em um tema ousado, o sexo.
                                            
Amigos, amigos (Isolda/Milton Carlos) ***
Arranjo Jimmy Haskel
Canção dos irmãos Isolda e Milton Carlos. Na realidade essa foi a primeira música deles a ser gravada por Roberto. A letra é uma situação em que tudo o que foi vivido foi pro ralo e a pessoa amada insiste que sejam, Amigos. Mulher quando vem com esse papinho de amigo, dá vontade de mandar pro Inferno.


O moço velho (Sylvio César) *
Arranjo Chiquinho de Moraes.
A canção nasceu de uma conversa de Roberto com o autor da canção. A idéia de que o tempo é relativo, para algumas pessoas o tempo é amigo, para outras, inimigo, tem muito moço velho e muito velho moço. Roberto disse a Sylvio para fazer uma música com essa idéia. Uma das canções mais belas que eu já ouvi.


Lado B

Palavras (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) **
Arranjo de Jimmy Wisner
Eu gosto muito do refrão “ eu fiz daquele amor, o meu sonho maior, minha razão de tudo...”. Trata-se de quando a gente vê que a coisa está indo pro ralo e não entende, não quer aceitar... O nome da canção é Palavras. E na letra diz: “não vá me dizer, palavras que venham, me fazer chorar depois”, para mim, trata do poder das palavras, elas têm um peso descomunal.

El dia que me quieras (Carlos Gardel/Alfredo La Pêra) **
Arranjo Jimmy Wisner
Nesse ano de 1973, Roberto faria uma temporada na Argentina, ele já era um grande vendedor de discos lá. Reza a lenda, que no último ensaio Roberto, sentado no palco, pegou o violão e chamou Chiquinho de Moraes, dizendo que precisava cantar algo para homenagear os argentinos. Cantou 3 músicas, das quais foi escolhida esse clássico de Gardel. Detalhe é que nesse disco, a edição brasileira traz apenas o nome de Roberto, na Argentina, o disco vem com o nome da música na capa. Agora, a interpretação de Roberto é algo singular, por isso, quando escuto, uma canção que foi gravada por ele, cantada por outros artistas, demoro a aceitar. Por essas e outras que não dá pra engolir a versão do Luis Miguel até hoje.

Não adianta nada (Fred Jorge) ***
Arranjo de Jimmy Haskel
Essa é uma obra prima. Sempre gostei de barulho, portanto, quando ouvi essa música pela primeira vez, tardiamente, pois sou de 1974, me identifiquei logo de cara. A expressão “porque mais cedo ou mais tarde você vai cair aqui na minha mão”. Sempre gostei da voz do Roberto agressiva, cantando coisas romanticamente agressivas. Como em Nada vai me convencer de Paulo César Barros.

O Homem (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) ***
Arranjo de Jimmy Haskel
Roberto e Erasmo em mais uma música que falam de Jesus Cristo. Porém, sem citar o nome de Jesus. Uma letra que fala que Ele plantou um monte de coisas boas e que Ele voltará “para colher o que de bom plantou e chorar pela semente que morreu”, porém “ainda há tempo de plantar, fazer dentro de si a flor do bem, crescer, pra Lhe entregar, quando Ele aqui chegar...”. Magnífico arranjo em que os violinos (costuram a música) e no final, guitarra e bateria dão um show à parte. Canção revisitada no especial da Globo de 2012 em dueto com Arlindo Cruz. O refrão ganhou até um arranjo ziriguidum, balacobaco e telecoteco.


Rotina (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) *
Arranjo Chiquinho de Moraes
Rotina para mim é a música que melhor ilustra o começar de um dia de um casal. Nada foi esquecido nessa letra. Importante ressaltar, como foi dito por Roberto e Erasmo no especial do Roberto de 1998, muitas vezes eles compõem no esquema (cineminha). Como um filme que vai passando, eles criam o cenário em que se desenvolve o tema. Em Rotina, é como a letra da canção nos transporta para o cenário descrito na música. Nessa canção mostra um tempo não distante, porém diferente da sociedade, o tempo em que o homem saía para trabalhar e a mulher ficava em casa, ia tomar um banho, esconder (aquilo tudo em um vestido), ou seja, a mulher era estritamente do lar. Bem diferente de hoje que a revolução feminina tomou conta do mundo. A canção “Se Diverte e Já Não Pensa Em Mim” retrata bem essa mudança dos tempos. Em muitos casais, a mulher assume o papel de chefe de família e o homem cuida das crianças, faz pão, limpeza, mercado e assistem a programa de receitas. Estilo de vida experimentado por John Lennon e Yoko Ono, numa fase em que John tinha parado de gravar, o filho do casal, Sean Lennon tinha nascido e Yoko “tomou conta dos negócios”.
Essa música foi citada por Silvio Santos no programa Em nome do amor, quando Roberto fez uma aparição mais do que especial para receber 3 troféus imprensa que tinha ganho. Silvio abusou da presença mais do que especial do amigo e fez uma entrevista sem cair nas perguntas costumeiras de jornalistas  da Rede Globo de televisão. Silvio perguntou a Roberto se alguma música de sua autoria ou que ele interpreta o fazia chorar. Roberto disse que de fato, havia sim algumas músicas que o fazem chegar ás lágrimas. Silvio foi mais além perguntando se Rotina o fazia chorar, Roberto disse: “Essa não me faz chorar não.” Esse programa foi um marco na carreira de Roberto, talvez muita gente não dê a devida importância, mas foi  um programa e tanto.

Considerações Finais
Assim como os discos da década de 70, a banda está bem em evidência. Antes da tecladeira tomar conta nos anos 80 em diante. Bateria com som de bateria, baixo com som de baixo e o perfeito casamento de metais, violinos, ou seja, o casamento orquestra e banda. É um disco lindo. Esse disco caiu em minhas mãos pela primeira vez por intermédio dos meus padrinhos. Eu sempre fui louco por discos. Gosto de colocar o disco na vitrola, olhar capa, contra capa, se tiver ler a ficha técnica, coisa que a era mp3 acabou tirando dos amantes da música. De certa forma me dá dó quando às vezes vejo em uma casa, de amigo ou parente, um disco esquecido na estante e geralmente eu sei quando ninguém da casa o escuta, ou melhor, nem lembra que tem o disco. Por esse motivo, seria eu um... salva vidas de discos importantes, porém esquecidos na estante. Na casa da minha madrinha não foi muito diferente. Havia dois discos lá pelo que eu me lembre o de 73 e o de 71. Aí pedi emprestado para o meu padrinho, já maquinando em minha cabeça que como eles não ligavam a mínima, me desse o disco de uma vez. Logo de cara ele negou, qualquer coisa tudo bem, pois aquelas canções eu já tinha gravado em uma fita k7 (pirataria da idade da pedra). Um parêntese, a primeira pirataria mesmo era encostar o gravador tijolão no auto falante da TV para gravar música, fiz muito isso. Bom, meu padrinho negou, mas logo em seguida falou um sonoro: “Ah, pega pra você”. Aproveitei e trouxe mais dois do Chico Anysio, dois do Juca Chaves e acho que foi só.
Em outra tia, resgatei do mesmo jeito, pedindo com cara de pidão, os discos de 81, o meu já estava velhinho, 77 eu não tinha e 72 que eu também não tinha. Vinil para mim nunca é demais, além de ter os relançamentos, (todos os discos do Roberto constantemente foram relançados, ou seja as (re prensagens) em vinil, gosto de ter o vinil da época também. Caso alguém queira se desfazer de um ou outro vinil, eu aceito doações. Lembrando a frase que vinha, geralmente nas contra capas de disco: Disco é Cultura.
As fotos de Armando Canuto estão como sempre impecáveis, luz, Roberto de perfil, com o inseparável microfone, cachimbo... aliás, esse disco traz mais fotos que as habituais duas na época: uma na capa e outra na contra capa. Também fumei cachimbo por causa do Roberto, claro, e não sosseguei enquanto não achei uma pulseira semelhante. A pulseira de Roberto foi dada pelo produtor Evandro Ribeiro no começo da carreira.



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