O DISCO DE 1975









Lado A
Quero que vá tudo pro Inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)*
O quintal do vizinho (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)**
Inolvidable (Julio Gutierrez)***
Amanheceu (Benito di Paula)**
Existe algo errado (Mauricio Duboc – Carlos Colla)***
Olha (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)***
Lado B
Além do Horizonte (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)****
Elas por elas (Isolda – Milton Carlos)*
Desenhos na parede (Beto Ruschel – Cezar de Mercês)**
Seu corpo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)***
El Humahuaqueño (Zaldivar)**
Mucuripe (Fagner – Belchior)***

Arranjos
*Horace Hott
** Lee Holdridge
*** Chiquinho de Moraes
**** Jimmy Wisner


Lado A
Quero que vá tudo pro Inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)*
Arranjo de Horace Hott.
O disco abre com uma regravação. É a primeira vez que Roberto regrava uma música sua. Ele voltaria a fazer regravações a partir de 1988 no seu primeiro disco ao vivo. Outro detalhe é que esse é o disco que marca os primeiros dez anos do movimento Jovem Guarda. Antes de um programa de televisão, a Jovem Guarda foi o primeiro movimento realmente grandioso de música jovem no Brasil. O arranjo de Horace Hott abre o disco em grande estilo. Um arranjo com violões ao fundo, bem marcados, um baixo poderoso do senhor Paulo César Barros, cordas, metais, bateria que não apenas acompanha, mas que cria também. É a música que abre o especial de fim de ano de 1975 na Rede Globo. Overbub em: “quero que você me aqueça nesse inverno...”. O solo, ou seja, o meio da música é apoteótico. A voz de Roberto está poderosíssima.

O quintal do vizinho (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)**
Arranjo de Lee Holdridge.
Ao que me consta, essa música sairia no acústico também, porém não foi o  que aconteceu. Roberto canta sobre um sonho. A música fala de paz. O quintal sem muro que ele havia falado no ano anterior de 1974. Fui procurar nos meus guardados a revista Cartaz de 1971, edição especial sobre o Roberto. Nas últimas páginas estão vários trechos de frases, respostas de Roberto, não há, perguntas. Mas há um trecho que dá uma idéia de onde essa música surgiu.
“ Tenho certeza de que, morando no Rio, vou estar também mais perto das pessoas. São Paulo está muito triste de se viver. Moro aqui há três anos e não conheço a cara do meu vizinho do lado. Outro dia, à tarde, fui experimentar o motor do Jaguar e só ouvi a sua voz gritando e reclamando do barulho. Fiquei tão chocado...  Era nosso vizinho.
Aí comentei com Nicinha: Puxa, se fosse no Rio, ele talvez pedisse para entrar, elogiasse o carro e desse um palpite. Sabe como é, carioca entende de tudo um pouco. Já estamos procurando casa. E é só encontrar, para fazer a mudança. Esta casa aqui, acho que vou alugar. Agora, os móveis levo para o Rio. Mesmo para as crianças, o clima quente é sempre mais benéfico.”  *
Esse trecho de entrevista mostra o descontentamento por morar em São Paulo. Mais ainda, o descontentamento com o ser humano cada vez mais individualista. Roberto cantou sobre um quintal sem muro em 1974.
* trecho de entrevista de Roberto à revista Cartaz 1971.

Inolvidable (Julio Gutierrez)***
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
Belíssima canção de Julio Gutierrez que na caixa Pra Sempre em Espanhol, saiu com uma outra versão, um outro arranjo. Inolvidable também foi o nome do disco que trazia várias canções em espanhol de Roberto. Mas nesse disco de 1975, o arranjo do maestro Chiquinho de Moraes, é maravilhoso, belo arranjo.

Amanheceu (Benito di Paula)**
Arranjo de Lee Holdridge.
Mais uma vez Roberto grava uma canção de Benito di Paula, a primeira tinha sido um ano antes, Quero ver você de perto. Roberto cantou Amanheceu no especial da Globo, bela canção. Benito tem um estilo sofisticado de letra. Na edição em espanhol do disco, na caixa Pra Sempre, essa música deu lugar a No te quiero ver triste. Na comunidade do orkut Música Cafona & Jovem Guarda (MC & JG) do meu amigo RStone, no tópico Roberto Carlos Raridades, acabamos saindo na caça dessa música em espanhol. O pessoal achou. Um abraço ao RStone.

Existe algo errado (Mauricio Duboc – Carlos Colla)***
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
Belíssimo arranjo de piano. A música trata de uma situação que é quando as coisas não estão indo muito bem com a pessoa amada. Ou no bom português, é quando a casa está caindo. Mas, pensando bem, podia ser pior, TPM. Mas, voltemos para o tema da música. Tristeza e cansaço. Há uma boa vontade por parte da primeira pessoa em sugerir: “vamos dividir essa tristeza, chorar juntos, depois nos abraçar...”. Belo arranjo de piano que atravessa a canção do início ao fim.

Olha (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)***
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
“Vem seguir comigo o meu caminho, e viver a vida só de amor”. Essa frase já diz tudo.



 Lado B

Além do Horizonte (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)****
Arranjo de Jimmy Wisner.
Um arranjo diferente, bem (abrasileirado). O baixo, o piano, está tudo redondinho, a cozinha está impecável. “...onde a gente pode se deitar no campo, se amar na relva escutando o canto dos pássaros” “ bronzear o corpo sem censura”, Roberto e Erasmo aqui já trabalhavam um pré erotismo em suas letras. Além do horizonte também sofreu alteração  na letra de uns tempos para cá. Música regravada pelo Jota Quest por volta de 2005 e presente no DVD Duetos.

Elas por elas (Isolda – Milton Carlos)*
Arranjo de Horace Hott.
Música dos irmãos Isolda e Milton Carlos. A letra é sobre a situação quando a gente percebe, ou melhor quando cai a ficha. “assim como você, vai abrir mão do que passou...”. Gosto do estilo de letras deles  também.

Desenhos na parede (Beto Ruschel – Cezar de Mercês)**
Arranjos de Lee Holdridge.
Se meu ouvido não me engana, nessa música há um contrabaixo acústico. Essa canção eu adorei desde a primeira vez que eu ouvi. Ela tem uma pegada legal. Gosto do estilo de letra assim, que diz o que a gente sempre tem na cabeça mas levaríamos um livro para concluir em palavras. Outros compositores se destacaram nesse estilo. Renato Russo e Tim Maia  traduziam  bem certas coisas que a gente sempre pensa mas não sabe como falar.


Seu corpo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)***
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
Esse arranjo é um que particularmente eu não curto. Achei meloso demais. Talvez para essa música um arranjo como o de Café da manhã, ou Música Suave, ou então Porque a gente se ama de 1990, talvez deixasse a canção com outra cara. Mas trata-se de um dos sucessos do Roberto. A música já começa falando na hora do amor e o descanso. Fala da intimidade pura com o corpo da pessoa amada. 

El Humahuaqueño (Zaldivar)**
Arranjo de Lee Holdridge
Acompanhamento: Los Chaskis
Diretor: Rodolfo Dalera
Los Chaskis é um conjunto formado por Rodolfo Dalera e sobre ele, pasme, não há um só texto na internet em português. No centro de São Paulo já presenciei um grupo assim tocando essa música. Destaque para a versatilidade de Roberto. Só para lembrar, até 1975, ele já tinha gravado rock, samba em Maria, carnaval e cinzas, blues em Como dois e dois, bossa nova, soul em  Jesus Cristo, Todos estão surdos... Um tabefe na cara daqueles que falam que o Roberto nunca muda.

Mucuripe (Fagner – Belchior)***
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
Música do grande Fagner e do grande Belchior. No especial de 92, Fagner estourou com a música Borbulhas de amor. Roberto disse no programa que Fagner estava lhe dando um presente por estar lá. Fagner disse presente havia sido dado por Roberto quando  gravou Mucuripe.

Gravado nos estúdios Eldorado (São Paulo), CBS (RJ, New York e Buenos Aires).
Fotos de Cinira Arruda

Este disco como foi dito no início da postagem, marca os dez anos do movimento Jovem Guarda. Além disso, foi o primeiro disco do rei a trazer um layout de capa que por muitos anos foi marca registrada de Roberto. O layout de álbum, capa dupla, com a famosa foto do meio, porém, as letras das músicas viriam somente em 1981, mas também, não seguiriam sempre com letra, o disco de 1982 veio apenas com uma foto na capa interna. 



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O DISCO DE 1990



Lado A
1-    Super Herói (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2-    Meu Ciúme (Michael Sullivan/Paulo Massadas)
3-    Por Ela (José Manuel Soto) Versão: Biafra/Aloísio Reis
4-    Pobre de Quem Me Tiver Depois de Você (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
5-    Cenário (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)

Lado B
1-             Quero Paz (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2-             Um Mais Um (Gilson/Carlos Colla)
3-             Porque a Gente Se Ama (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
4-    Como As Ondas Voltam Para O Mar (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
5-    Mujer (Roberto Livi/Salako)


 Lado A
1 – Super Herói (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo e teclados: Ary Sperling
Apesar da letra ser realmente um estilo legal, a dupla se coloca na pele daquele cara super protetor que está disponível 24 horas por dia. Boa, a mulherada gosta disso mesmo. Analisando a música, ficou impecável a junção da bateria (de verdade) com o teclado. John Robinson mandou bem nas baquetas. Só faltou mesmo o Abel Laboriel  no baixo. O eco na voz de Roberto aqui ficou fantástico.

2 – Meu Ciúme (Michael Sullivan/Paulo Massadas)
Arranjos e  Teclados: Lincoln Olivetti
Uma composição dos hit makers Sullivan e Massadas é o carro chefe do disco. A dupla de compositores explora o tema ciúme de forma espetacular. De ciúme eu entendo bem, sou de escorpião. A letra mostra uma solução sugerida pelos próprios autores no trecho (...mas pra gente ser feliz eu vou domar meu coração). A música tem uma sonoridade grave, os teclados, bateria, tudo bem distribuído, a regência de cordas ficou por conta de Charlie Calello e de metais por Jerry Hey. Aliás, os metais andavam meio raros nos discos do rei por essa época.

3 – Por Ela (José Manuel Soto) Versão: Biafra/Aloísio Reis
Arranjo: Charlie Calello
As guitarras flamencas ficaram a cargo de Manzanitta e Ramón Stagnaro. Uma ótima música que Roberto poderia usar ao vivo em seus shows hoje em dia. Uma prova da diversidade de ritmos nos discos do rei. A letra narra todas os porquês da devoção pela pessoa amada.

4 – Pobre de Quem Me Tiver Depois de Você (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Charlie Calello/ Arranjo de Cordas: Eduardo Lages
A dupla vem com um tema que já foi abordado mais sutilmente em Tente Viver Sem Mim de 86. A letra explora o tema do tipo: Ah é? Fica sem mim pra você ver o que é bom pra tosse! Paulinho da Costa se encarrega da percussão, Robbie Buchanan do piano e baixo e nos teclados Ary Sperling.


5 – Cenário (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
Arranjo e Piano: Eduardo Lages
Mr. Eduardo quando escreve mata a pau. Ele consegue, assim como Roberto e Erasmo, colocar no papel os sentimentos mais profundos e coisas que nunca dizemos, mas que existem em nossas cabeças. A dupla mescla o ser artista com a situação de fã da pessoa amada, a vida a dois aqui é encarada como uma história. No trecho (... são lágrimas de amor que a maquiagem, disfarça mas não muda o personagem, sorrisos tantas vezes encenados, deixados de lado, na vida). Perfeito Lages e Valle. 



Lado B
6 – Quero Paz (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjos e Teclados: Robbie Buchanan
Roberto e Erasmo aqui pedem por paz. A música nunca vai deixar de ser atual. No caso aqui é contra a guerra que Roberto e Erasmo se pronunciam. A dupla já havia falado em 82 em Paz na Terra. Essa música entrou no Especial de 1990 em forma de clipe. A versão em espanhol tem diferenças na mixagem*. 

7 – Um Mais Um (Gilson/Carlos Colla)
Arranjo: Charlie Calello
Uma letra simples, porém a simplicidade não lhe tira o brilho. Gilson e o hit maker Carlos Colla descrevem a situação de uma possível reconciliação, momento em que os pensamentos não são claros na cabeça de quem está separado da pessoa que ama. No trecho (deixa eu te abraçar por uma noite só) é o gancho para tentar terminar o assunto na manhã seguinte. Seria um dos estilos de letra de Roberto e Erasmo. Antes do final da música, há uma subida de tom, Roberto também é mestre nisso.

8 – Porque a Gente Se Ama (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo e Regência de Cordas Charlie Calello
Roberto e Erasmo tentam resgatar aqui em tema a sensualidade das músicas dos anos 80. A música em si, tem uma atmosfera muito boa. Aqui é possível ouvir Roberto cantando consigo mesmo. Uma das milhares de coisas de se dizer para este disco, é que o disco é agradabilíssimo de se ouvir. A dupla de compositores de uma certa forma se superam nessa letra. O trecho (A gente se encosta e até sai faísca...) mostra isso.

9 – Como As Ondas Voltam Para O Mar (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Charlie Calello
A tecladeira assume o disco mais uma vez. A letra fala em voltar para os braços da pessoa amada. Abordagem usada também na canção (Como as Ondas do Mar de 88).

10 – Mujer (Roberto Livi/Salako)
Não há arranjo creditado no disco.
Música de Roberto Livi que fez parte da trilha sonora internacional da novela Luia Cheia de Amor. Música bastante veiculada no rádio também. Essa canção quebra a idéia de que as músicas mais fracas ficam para o fim do disco.

Considerações Finais
Na capa predominam as cores branca e azul. Roberto tem um estilão só dele para capa. Não sei se eu já disse isso em outro post, mas ele criou elementos que viraram marca registrada em suas capas, a moldura, a foto, o figurino, foto em ambiente externo ou estúdio as capas de seus discos (ainda mais em vinil) causam um impacto de que o disco em mãos se trata de um artigo fino. Roberto entra na década de 90 com um disco ímpar. A produção é do próprio Roberto com exceção de Mujer por Roberto Livi, Super-Herói foi produzida por Sergio Lopes e Por Ela produzida por Mauro Motta. A produção do disco nos dá vontade de ouvir Roberto produzindo mais e imaginar como seria a produção dele próprio em outros discos da sua carreira. A sonoridade aqui está mais encorpada. Voltando no ano de 1990, o disco anterior, 89, Amazônia tinha tido um sucesso razoável. Particularmente, lembro do disco de 1990 chegando na loja de discos em que eu trabalhava no Itaim Bibi, aqui em São Paulo. O fim do ano estava próximo. Era meu segundo emprego. Aquele ano de 1990 meu pai me perguntou se eu queria trabalhar com ele onde ele trabalhava. A loja de discos. Inesquecível foi aquele ano em que passávamos o dia inteiro juntos. Era tudo novo pra mim, pegar ônibus, ir trabalhar, com o meu pai. Alguns meses se passaram até que nas vésperas do natal, meu pai começou a passar mal e no dia 24 de dezembro, uma Ebulia Pulmonar acabou o levando. Não assisti esse especial direito, até porque foi no dia 25, mas tenho gravado em VHS.
O disco é obrigatório para toda pessoa que se diz fã de Roberto. A sonoridade do disco está mais encorpada, Roberto canta consigo mesmo em overdub, há a diversidade de estilos e aqui temos o próprio Roberto produzindo. Gravado nos estúdios Westlake e 55 (Los Angeles), Criteria (Miami), Sigla e Transamérica (RJ). Fotos de Nicola Dill. 




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O DISCO DE 1987








Lado A
1 – To Chutando Lata (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2 – Menina (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
3 – Águia Dourada (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
4 – Coisas do Coração (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
5 – Canção do Sonho Bom (Mauro Motta/Robson Jorge/Lincoln Olivetti/Ronaldo Bastos)

Lado B
1 – O Careta (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2 – Antigamente Era Assim (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
3 – Ingênuo e Sonhador (Mauricio Duboc/Carlos Colla)
4 – Aventuras (Antonio Marcos/Mario Marcos)
5- Todo Mundo Está Falando (Everybody’s Talking) (Fred Neil – Roberto Carlos/Erasmo Carlos)

 
Lado A

1 – To Chutando Lata (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Nico Resende
A música que eu sempre gostei pela (cozinha) ser perfeita. O baixo e a bateria estão redondos. A metaleira arrebenta nessa música que abre o disco. No cd se percebe algumas diferenças em relação ao vinil, (ou então, o meu toca discos aqui era muito ruim, rs). Roberto canta sobre a transmissão de pensamento, tipo na hora que ele queria ligar para a Myrian, ela liga pra ele.

2 – Menina (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Lincoln Olivetti
Roberto tenta aqui resgatar a sensualidade dos do início dos anos 80. A letra gira em torno de situações de um cara mais velho, sugerindo para a Menina lhe ensinar tudo à maneira dela. Roberto explora bem mais a voz do que na primeira canção. O belo solo de sax fica por conta de Pique. Curiosamente essa música não tem bateria. Tudo na tecladeira de Lincoln ou de Nico Resende.

3 – Águia Dourada (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Chiquinho de Moraes
Aqui percebemos uma leve diferença em relação ao vinil. Aqui a dupla fala do índio, da natureza, desmatamento, etc. Na ficha técnica do disco podemos ler várias vezes escrito violão Ovation. A canção é sobre águia. Na última e campeã de audiência, entrevista do Roberto no Jô, Roberto falou de uma época em que sabia tudo sobre águia. Aos mais atentos, por muitos anos na lapela esquerda do blazer, sempre tinha uma águia.  

4 – Coisas do Coração (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
Arranjo: Eduardo Lages
Música bastante veiculada na rádio. Comentavam as más línguas já nessa época que as músicas de Roberto não soavam mais como antigamente. O que esse pessoal não percebia era que Roberto sempre foi um artista à frente do seu tempo. Nos anos 60, na transição da Jovem Guarda para o R&B, tanto na fase iê-iê-iê quanto na fase black, ninguém no Brasil chegava perto dele. Na década de 70, que para muitos é a melhor época de sua carreira, ninguém o batia também....

5 – Canção do Sonho Bom (Mauro Motta/Robson Jorge/Lincoln Olivetti/Ronaldo Bastos)
Arranjo: Lincoln Olivetti/Cobertura de Cordas: Eduardo Lages
Uma música lotada de dissonâncias, também, olhe o time de compositores. Canção digna de qualquer disco de MPB. Mauro Motta toca uma penca de teclados, ou seja, em disco que o Mauro Põe a mão, fica excelente, em música que ele toca então, fica melhor ainda. Nos teclados ainda temos Lincoln Olivetti e Robson Jorge. 




Lado B
1 – O Careta (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Charles Calello
Uma das minhas preferidas do disco que é um dos meus preferidíssimos. A música da polêmica que rendeu um processo por plágio. Mas não vou comentar aqui sobre o caso. A verdade é: A música ficou legal na voz do Roberto, com letra de Roberto e Erasmo. Aqui, como em outras músicas do disco, temos Aristeu nas guitarras. Rogério Rocha Meanda é o resposável pelo solo de guitarra. Apenas acho que o tom ficou alto para Roberto. Mas a música fala da dependência química, uma música atualíssima até hoje. A canção foi excluída dos CDs vendidos separadamente e do Box Pra Sempre.

2 – Antigamente Era Assim (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Nico Resende/Arranjo Cordas: Eduardo Lages
A tecladeira dá as caras novamente aqui. A letra narra sobre lembranças de como era o relacionamento. No trecho (E tudo você fazia/pelo prazer de agradar/ a ansiedade no olhar/ o tempo todo na espera do telefone tocar). A música dá a idéia de que realmente antigamente havia mais sentimento. Belo solo de Flugel de Marcos Montarroyos.

3 – Ingênuo e Sonhador (Mauricio Duboc/Carlos Colla)
Arranjo: Eduardo Lages
Realmente a primeira linha da música a gente sente uma coisa bonita quando alguém diz que ama. Ingenuidade e sonhos acompanham todo casal que está no começo. É uma música que narra o início gostoso do namoro. No violão solo Aristeu, fiel escudeiro do rei. Sempre discreto, mas toca demais.

4 – Aventuras (Antonio Marcos/Mario Marcos)
Arranjo: Eduardo Lages
Impossível ouvir essa canção e não se perder em pensamentos. Lages faz um arranjo a altura da grandiosidade da canção. Antonio Marcos (que falta ele faz na nossa música), era o próprio homem poema. Junto com Mario Marcos, dizia numa frase o que qualquer pessoa gastaria uma folha para escrever. Gosto do trecho (Se você me abandona/ apenas um segundo/ a vida muda o gosto/ e eu sinto saudade).

5- Todo Mundo Está Falando (Everybody’s Talking) (Fred Neil – Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Lincoln Olivetti/Arranjo de Cordas: Charles Calello
Trata-se de uma versão de um grande sucesso, mas que conheci primeiro na voz do Roberto. O rei também fez versões ao longo de sua carreira. Desamarre meu Coração do disco É proibido Fumar é uma versão de Unchain My Heart. Lobo Mau do disco Jovem Guarda de 65 é versão de The Wanderer. Calhambeque de Hot Road. Eu te amo, versão de And I Love Her dos Beatles. Nessa última, o rei a gravou com um estilo próprio. Enquanto outros artistas apenas copiaram a levada que Paul McCartney fez em seu acústico. Muita gente fez dessa versão um bolerão açougueiro, como diria Raul Seixas. Nas primeiras, Roberto escolhia a dedo sobre qual música fazer as versões. Diferente do que se vê hoje, que todo sucesso internacional vira forró.

Considerações Finais
O disco saiu em 1987. Não lembro muito por qual razão, mas para quem tinha comprado os lp’s, a gravadora acabou fazendo um (recall). Não lembro ao certo se era um defeito na prensagem. Eu sei que eu não voltei na loja. Nessa época lembro que eu estava ruim de som em casa. Eu tinha um toca-discos Telefunken que já estava mal das pernas coitado. A rotação tava alterada, instável, um belo dia travou de vez. Aí para ouvir o disco, que eu estava para lá de curioso, no desespero eu tirei o prato do toca-disco e coloquei graxa de sapato, foi a salvação. Esse disco nota-se uma sonoridade meio aguda, não é encorpado como o de 1988, por exemplo. O time de músicos também é na maioria brasileiros. Apenas o resultado final ficou meio agudo.  O visual da capa é branco, uma das cores preferidas do rei. Produzido por Mauro Motta. Gravado nos estúdios Sigla (RJ e SP) e Lincoln Olivetti (RJ). Fotos Luiz Garrido. 

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